domingo, 6 de junho de 2010

NAVEGAR É PRECISO OU VOU ME FAZER DE MODERNO DIANTE DE DEUS

Não serei o poeta dos tempos caducos ainda que não seja pós-moderna. Em mim, não há espaço para lacunas. Não me dou com Peter Brook nem com Lygia Clark ao primeiro olhar.

Não quero ser um Kaspar Hauser, um Mogli ou qualquer coisa assim. Estou aprendendo a ser oriental: O mundo não se descortinará ante meus olhos, ele sempre esteve aqui. Tenho que explorá-lo. Não pertenço a lugar algum. Me sinto perdida, posto que o mundo me pertence.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Tempo de ter

Há algo de lívido nas horas, elas nos impede de verborragias impiedosas ou vergonhosas.
Nos poupa de pena, oujo juizos, nos interpelam, pertubam, ignoram.
E a desagradável pressa, nos poupa por vezes do ridículo, da lenda, da pena.
O tempo que me fez enjoada, e debil.que pouco me interessa.
Ja me condenara a angustia.
Me desacreditara.
Ja me esclarecera burra, desagradavel
Nao se importa pelo egoismo ter sem fracassacar, quem nao deseja mais estar.
O tempo, que alivia, pouca, endurece e mata

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Colo


Deveria ter voltado pra casa mais cedo, pela eminente violência das ruas.

Mal-Agradecida que sempre foi, se propusera a todo o momento, resistir a qualquer tipo de aviso sobre os perigos da crueldade e violência.

Perambulam nas ruas infartos mal curados,

jovens aborrecidos com as injustiças, e os injeitos

e principalmente aquelas mulheres que feridas pela dor e perda

rodopiam solenes pela madrugadas.

São essas as que bebem luxuria

Presas a corpo algum e integradas a todos os corpos,

Preocupam-se com a faixa depilada de seus sexos,

suas unhas e roupas que reluzem mais do que seus espíritos.

Comercializam de tal forma e justa que são

cada momento de perda e danos,

que os homens de bem e de mal procuram nas noites quentes e frias ,

igualando-se a ao divino e aos seres dos esgotos.

Procurando falar do que é agudo e atravessa o meridiano do corpo,

Admite-se dizer delas, heroínas de todo o sabor

e as tenho em alta conta.

São abstêmias de tudo que contem pouca velocidade,

refratarias a resistência dos ventos.

O que insistem em dizer do todos os iguais

que neles devem funcionar um sistema de ar, de líquidos,

e estrutura qualquer que faça as duas coisas perpassarem de forma ininterrupta,

Nem mesmo a estupidez seria capaz de bloquear tal sistema de percurso perfeito.

Das mais sórdidas iniqüidades do mundo,

as piores são a gentileza e o afeto certamente.

Resultam impreterivelmente nos tais infartos que ocorrem de forma vagarosa interrompendo o percurso de vasta correnteza de líquidos e ar,

acumulando teus humores a asfixiar o externo e o manúbrio.

Tornando lentos os reflexos e os pensamentos,

Diminuindo o ar e impedido o choro

Doentes adivinham a eficácia de cada reação em tua direção

Exigem a medida da pretensão de teu carinho, as moças cortejadas no sofá da sala

Estas malabaristas de penis, mantém retidas entre as pernas tais líquidos,

Intactos hímens, pois estendem o cu sem a moral do epitélio,

que faz tudo parecer pecado inrrompido.

Acabada a possibilidade de abraçar tua mãe, teu pai, tua avó e principalmente impossibilitando-a de ser o deposito de tua porra.

A aliança tem em tua esfera outro segredo,

Imita a anatomia onde esconde-se tu, tua vergonha e teu alpendre de covardia.

Que com desfaçatez usas como liberdade pessoal, realização e algum tipo de aceitação de paz.

Os cães vadios tem paz.

De tudo em suspenso, apenas teu alpendre pode determinar algo a classifica-lo .


Puta que nos pariu, igualmente solenes, e virgens da culpa de romper estes espaços.

Tornaram-nos débeis e Cíclicas,

recheadas de duras palavras sem o dom do domínio

Duros movimentos sem a lascívia do balangar das árvores.

Duros olhos, sem a coerção das cores.

E dispares pelo tempo, capacidade e expressão.

Ousam dizer disso arte, prepotência, demência ou desfaçatez.

São fuzilarias da moral, que inventam a estética e os símbolos de pensar a dor e a causa.

Quando que simples e plácidos os gatos somem na noite

com os mesmos sentimentos e propósitos dessas mulheres feridas,

sem nada reclamar,

bebendo água suja a espera dos seres dos esgotos ou de Deus.

Como queira.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dancing With Myself #2

Observava meio distraída os veículos presos no engarrafamento comum àquele horário. Pensou naquele mundaréu de gente parada lá fora. Todos na mesma condição. Será que eles sabiam? Deveriam saber, ou ao menos suspeitar. Procurava uma coisa qualquer a que se apegar. Através da janela do ônibus viu o mar, o sol que se punha, as crianças que faziam caretas dentro dos carros. Não conseguia, não conseguia. Imaginou-se náufraga. Pressentia um arrepio. Quanto tempo havia que conhecia aquele corpo? Tempo suficiente para adivinhar o que estava a acontecer. Logo viria a secura na boca, as mãos ficariam trêmulas, ficaria sonolenta, a cabeça giraria. Aquele enjôo chato também viria a dar as caras? Reclinou-se mais ainda no banco e procurou aquecer-se no que restava de luz naquele dia que também encerrava seu expediente. Abriu o livro que trazia nas mãos, passou a vista sem se prender em nenhuma frase. Já não havia meios de evitar.

Desejou um estupro. Seria mais fácil explicar. Um estupro poderia distraí-la do mal-estar que sentia. Arrumar sabonetes por data de validade. Não esquecer do descanso de copos. Você nunca fica. É, eu nunca fico. Não diga droga! Diga luz! Lembrou de Rubem Fonseca: Não diga sovaco, diga axila. Na próxima encarnação quero vir homem, desses que dizem ‘buceta cabeluda’ com o mesmo gosto que as come. Não, Vó, não parei de fumar, se eu parar de fumar a única forma de obter prazer se resumirá a peidar e tirar meleca, mas obrigada por pensar em mim. Tá ocupada? Não, nunca estou. Fechou o livro e reparou que na capa estava desenhado um homem que atirava na própria cabeça. Gerald Thomas me acharia um clichê, no pior sentido que pode haver para um clichê. Comprar uma infinidade de papéis coloridos para um curso que já deveria ter concluído há tempos. Tire os sapatos antes de entrar, tire essa roupa de rua, seque o blindex após o banho, assim conservaremos tudo limpo.

Desceu perto do cinema. Buzinas, mães com seus filhos na saída das escolas, homens com pastas, pipoqueiro, alguém tentava vender canetas no semáforo. O mundo estava em silêncio. Não, o silêncio era seu, só seu. Meia entrada, por favor. Abriu a bolsa, estava sem a carteira da faculdade. Deixa pra lá. Acendeu um cigarro. Vai ser escritora? Não, vou ser puta – quis responder ao irmão. Te dou todo o meu apoio. Imagino que sim. Pensou em ligar para a mãe e dizer: Cínica é você! Dar flores quando uma menina menstrua pela primeira vez, isso sim é cinismo! Esperaria pela próxima visita, não havia telefones onde sua mãe se encontrava. Apenas uma mulher pode educar outra mulher. Precisava lembrar de agradecer por ter recebido mais que anticorpos do leite materno. Quanto é o curso de pintura? Ligue às dezoito horas. Outra viagem perdida. O problema não era sair de casa, era voltar para casa. Já não fazia questão de um estupro, contentaria-se com uma falta de energia elétrica. Suas meias pretas estão no armário, tenho certeza, eu as pus lá.

Alguém ligou a televisão num volume muito alto. (Re) descobriu uma colagem sua num pedaço de pintura de Santa Rosa. Mesmas cores, mesmas formas. Não havia nada de original no seu mundo. Por um momento achou que fazia parte de uma sociedade secreta, uma irmandade onde os membros jamais poderiam falar abertamente entre si e limitariam-se a cumprimentos silenciosos, meros olhares furtivos. Reconheceriam-se e participariam juntos de uma batalha velada cuja única finalidade era continuar lutando e a única condição para tornar-se membro era ter uma vagina . Faça por onde que eu te ajudarei. Se está me escutando, Deus, saiba que se fosse você a trabalhar em dois empregos e tivesse por obrigação acordar de madrugada para sustentar os filhos, também você não teria tempo de acreditar em si próprio. Sentiu um hálito quente. Quando foi mesmo? O primeiro foi seu pai, o segundo seu irmão, o terceiro foi aquele a quem Teresa deu a mão. Certa vez tentara, em vão, explicar o grotesco de tal cantiga. Acusaram-na de feminista. Persistia em acreditar que discutir feminismo pressupunha a existência de um machismo. Ambos os conceitos co-existiam por mutualismo. Não era feminista, ou pelo menos, não queria ser. Teresa deu a mão a um homem e o levou para o quarto. Cantarolou aquela música, Marvin, enquanto fumava mais um cigarro para ouvir logo em seguida seu pai reclamar do cheiro da fumaça. Recolher a louça que secava dentro da pia da cozinha. Por que ele faz isso? Assim como nunca dissera que a amava, nunca disse que a odiou. Morreria sem receber qualquer manifestação de atenção.

Queria beber alguma coisa. Não me fale em obrigações, preceitos, pecados e divindades. Não, é melhor não beber. O telefone tocou. Quantas vezes esse maldito telefone haveria de tocar antes de voar pela janela? Pai, ligação para você. Fez café. São nove horas da noite! Assim você não vai dormir e só vai acordar pra lá de meio-dia! Certamente. Serviu a janta. Quer dizer que não vou te ver hoje? Entrou no banho sem olhar-se no espelho. Lembrou das mãos da sua tia ligeiramente deformadas por causa da artrose e da avó que tolerou a infidelidade do marido por anos a fio. Podia cair uma chuvinha... Quando era adolescente e voltava da escola, fazia o favor à empregada, ao seu padrasto e a si própria de se trancar no quarto. Girava no escuro de braços abertos. Na hora costumeira em que seu padrasto saía para a rua, também ela saia do quarto. Ia até a sala provar tequilas. Era feliz assim. Oi, disse seu irmão, tirei minha carteira de motorista. Foda-se. Agora faço meus relatórios do trabalho em inglês. Foda-se. Ué, cadê meu colchão antigo? Foda-se.

Acordou no meio da madrugada com frio. Nunca mais te vi sentar naquela prancheta para estudar. Vamos viver de brisa, Anarina e eu. Dia desses o avô aconselhou que seria melhor rifar o enxoval que estava encaixotado lá na casa dele. Já que você não quer casar mesmo. Sentiu aquela agonia crescer novamente. Foi até o banheiro e tentou vomitar. Queria chorar sem ter que explicar por que chorava, queria tomar mais um banho. Pegou uma xícara de café e sentou para ler os e-mails, alguém dizia que estava frustrado. Fechou o laptop, catou as moedas e procurou por um boteco amigo àquela hora. Buscaria por aquilo que Hemingway sabiamente chamou de O Solvente Alquimista, elixir alcoólico, vulgo whisky, solvente para os problemas e que num ápice transforma o nosso ouro bruto em merda. Discordava apenas da ordem, para si, o tal solvente converteria a merda bruta em ouro, apesar de saber que nem tudo que reluz é,de fato, o mais nobre dos metais. Culpa. Se eu for violentada, tentarei gozar. Por que o mundo não desaparece? Pare de imaginar coisas. Existe um momento na vida em que é preciso decidir o que vender, ponderou.
Ouviu os bêbado - anda, conte-me alguma coisa antes que eu desabe. Deixar recados na geladeira para papai. O céu está estrelado, amanhã vai fazer sol. Um dia acreditou que seria alguma coisa que valesse a pena. Merda de cigarro sem gosto! Não sabia pra onde deveria ir. Você não era assim. Pensar numa boa desculpa para desmarcar o encontro do dia seguinte. Teve vontade de sentar na calçada. Quanto eles pagavam naquele lugar mesmo? Encolheu-se nas cobertas. Fazer panquecas para o almoço.

Dancing With Myself #1

Já leu os textos...?
I like it, I'm not gonna crack
E tem uns vídeos...
I miss you, I'm not gonna crack
Assista esse...
I love you, I'm not gonna crack
Gostou de você...
I'll kill you, I'm not gonna crack

Abriu os olhos depois de uma longa tragada. Sorriu para seu interlocutor e tentou escolher entre:
A) Beber o resto de cerveja já não tão gelada assim, passar a mão na bolsa e marchar porta a fora;
B) Jogar a cerveja já não tão gelada assim na cara do interlocutor, proferir um sonoro 'vai tomar no cu', passar a mão na garrafa de cerveja gelada e marchar porta a fora;
C) Beber a cerveja gelada diretamente do gargalo da garrafa, quebrar o casco e apontar o caco para a jugular do interlocutor dizendo entre os dentes 'repete o que você falou';
D) Respirar fundo, virar a mesa e gritar um bem pronunciado 'foda-se' ao seu interlocutor.
Mas limitou-se a acender um cigarro no outro, beber mais do que podia pagar e ouvir os galanteios do dono do bar. Sabia que tinha escolhido mal e sua escolha traria consequências nada satisfatórias.

Sonhou que cortava os cabelos frente a um espelho velho, em um quarto mal iluminado por velas. Acordou ácida. Odiou os muito seguros e os bacaninhas. Viu sua imagem em fotos, odiou-se também, posto que não fosse nem um nem outro, nem coisa alguma. Começou a conjecturar se estava vendo o mundo unicamente através de óculos cujas lentes eram verdes.

I'm so ugly, but that's okay 'cause so are you

Não eram iguais como tinha pensado. Não era igual a nada, bem como não era original. Ria sozinha de uma piada velha e sem graça, mas ria. Ria? Às vezes esquecia-se disso também. Passou o dia mastigando um silêncio raivoso, por saber que, no fundo, a culpa de tudo era sempre sua. Era ela quem tinha problemas com o passado, o presente e o futuro. O que julgava ser seu lado racional lhe dizia a todo instante que deveria guardar para si todos os malditos questionamentos, inseguranças e desaprovações infundadas. Era realmente tudo infundado? O limiar entre o certo e o errado, sua ética própria e anseios junto ao meio, tudo era confuso. Não poderia precisar se estava em queda ou se sempre estivera. Não importava, o mais saudável era ser adorável e tentar distrair-se de qualquer devaneio. Pensou melhor e percebeu que isso faria dela uma pessoa ainda mais distante do que poderia ser uma realidade compartilhada. Quando a sanidade veio andando em sua direção na rua, muito provavelmente deu um grito e se jogou embaixo de um caminhão. Não via como alguém em sã consciência poderia se colocar em segundo, terceiro plano. E pior, não mudava a rotina mesmo reconhecendo onde pecava. Mas afinal, os loucos não se sabem loucos. Era sã. Estava salva. A grande questão a ser respondida em sua vida deveria ser passada para aqueles que a cercavam: Se você não gosta de mim, por que me emprestou sua bicicleta?

Light my candles in a daze 'cause I've found god

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Os Senhores do absurdo nascem descalços

E como tudo que nasce,

choram ao encontrar o ar.

Mas diferentes dos demais a razão é porque gostam do sufoco.

Tornam-se meninos adoráveis, sorridentes e agressivos.

Culpam o óbito de alguém,

mas não se maculam por motivo algum.

Senhores absurdos tomam para si mulheres absurdas

Coabitam a noite, como que ratos a procura do que te é possível .

Somente.

Capazes de estrondosa audácia, distribuem sorrisos

e tomam tempos preciosos.

São solícitos como damas-de-companhia

e resistentes como reticências em frases preguiçosas.

Cartesianos que são,

se mostram infinitos

e seus limites são os de poças d’agua no asfalto quente.

Absurdos são as coisas que dizem sem embasamento algum,

Criativos ornamentam intenções e trejeitam dons.

Manipulam o som para agradar, quem esbarrar com azar em seus ombros.

Querem a beleza a que são incapazes, imaginam no leito de uma rodovia qualquer.

.

Os Senhores do absurdo morrem sem saber por onde caminhar.

Por esta razão nascem descalços

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Insuportável em Três movimentos ( Sonata da Coerência)

Soe indiscreta, pise no inseguro e entorne todo caldo que puder,

Porque é uma solista.

Enrijeça a tez com tédio. Não tenha medo de ser mal interpretada.

Se interpelarem, vomite inconseqüências e erre no português.

Uma hora te definem como fez o filho de Bach, aquele moleque!

Neste momento te tornarás um classicista das ruas, enfiado em algum grupo, merecedor de análise. Faça-os pensarem que caminhará para a demasiada rigidez da mal-criação.

Predefina de forma adorável, procurando surpreender, deixe de pensar na poeira do armário e em tua própria inutilidade. Não se esconda no sexo.

Corra livre para o que bem entender, cantarolando os passos, sem citar autores legitimamente geniais. Envergonhe-se de se achar proprietário mas guarde a esnobação de tua enervação construtora para si, Andante, Adágio, Largos.

Mimetize em minuetos teus arrependimentos, alegre-se com a própria idiotice e sentimentos menores. Rondas periódicas são as mais usadas para nutrir o viço de ser profundo. Por fim o grande enlace, termine energético e cheio de pretensões que já nascem falidas, patéticas, na jaula.

A noite espera uma desculpa frágil para saltar o desejo de embelezar, pintar, articular, e novamente sair.

( Para que torne mais insuportável ainda!)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pedaço de mim, todo meu ser: antes isso do que nada

Há quem goste da minha boca
Há quem goste do meu cabelo
Há quem goste da minha bunda
Há quem goste dos meu peitos

Há quem goste do meu cheiro
Há quem goste das minhas pernas
Há quem goste dos meus pêlos
Há quem goste das minhas costas

Eu, particularmente, prefiro minhas mãos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sobre Calabar

Não, não pretendo ser Chico!
Mas tenho chico todo mês,
Tenho também todo direito, de ser a dúvida no imaginário popular.
De fazer acreditar que creio no potencial de um povo, de que os quero livre e guerrearei por isso.
De ser farsa ou farsante, de ser traída ou traidora
De ser Calabar!
Tenho o direito a andar pelos povoados, de aprender suas línguas
De me prender em suas línguas...

E do direito divino de ser coroada por um mito.
De mentir, de descarar
E vejam, eu enxergo muito bem.
Historiei muita gente, viciei em espetáculos particulares!
Errei no último ato, quando sentei na poltrona vazia para uma peça vazia.
Ignorei o costumeiro passeio pelas coxias, pois já conhecia aquelas cortinas...
Errei.
Quando tive a mau gosto, de escolher mal a próxima cena.
Saí do teatro calada.
Fui calar-me num bar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A voz trovejante de Deus

Eis as razões de minha inefável ausência!
Procurava junto.a querida ora doce, ora meio-amarga, ora intragável..
A voz trovejante de Deus!
Que nos mande danar, envergonhe-se de nós, mande nos fechar as pernas que seja!
Nada ouvi!Procurei silenciar-me, calar certas razões feitas de chumbo,malear e nada feito. Deus deu as costas por resposta, nem uma nem duas, num cri-cri nervoso, que estendia a todos nós ar de ignóbil de severa autoridade.
Clamávamos por um sinal, provocamos inúmeras vezes Tua ira. Nem um mero som, nem um relampejada, nada!
Resolvemos ignorar o próximo, da forma mais estúpida destratar algum entes, escrotiza-lo sem motivo aparente e para ficar mais fácil, usando alguma característica desagradável de nós mesmo, projetando em nossa vítima nossa ínfima frustração. Na esperança de que Deus se voltaria contra nós, desse alguma ordem definitiva. Nada!
Mudamos de método, resolvemos encher a cara no dia em que se comemora seu dia na nação ketu. Nesse dia enchemos a cara durante semanas a fio, fizemos sexo com desconhecidos quase por um prazer mórbido e nada... Deus demostrou-se nem ai para nossa ébria conduta, deve ter mostrado a bunda e sacudido, nem mesmo enviou uma simples sensação de culpa.
Numa ode ao abismo de nossa realidade, entendemos o silencioso recado divino. No sibilante escuro de nossos dias vazios, enfim trovejou a razão:
- Mostrei-os o que tanto queriam, de que material são feitos.
Ainda precisam testar-se?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Aos meus amigos

Não é por nada não, mas gostaria de falar dos meus amigos. Não é nada pessoal com quem não o é mas me deu uma vontade de botar pra fora algumas coisas, mesmo sabendo que a maioria deles não vai ler isso. Mas quem for ler vai saber ou confirmar a importância que representa os meus amigos pra mim. Não to nem aí se esse texto vai ficar piegas, sem graça, meloso, tosco. To cagando! Eu sou assim!
Uma dessas é uma pessoa incrível, ta sempre disposta a me ajudar e cuidar de mim, mesmo que essa ajuda venha acompanhada de uns tapas e muito esporro, é daquelas que você procura quando quer ouvir as verdades mais dolorosas e os melhores elogios; uma outra eu nem sei porque ainda a considero minha amiga, talvez por eu não ter vergonha na cara, por ela representar muitas coisas boas pra mim, e por ela ser tão doce quando quer; tem uma que ótima, irritantemente feliz, sempre saltitante, um saco, mas não tem como não gostar de uma pessoa que ta sempre querendo te colocar pra cima; tem um que nunca me deixa muito claro o quanto ele gosta de mim, mas ele me traz café e faz piada e no fundo no fundo eu sei que representamos um pro outro uma das partes mais bonitas da nossa pequena história; tem uma outra que nossa amizade veio de um tempo em que nem sabíamos direito quem éramos (como se soubéssemos disso agora, mas tudo bem) e já nos gostávamos tanto que suportamos coisas que poucas pessoas suportariam, só pessoas fortes como ela e eu me inspiro nisso para suportar o aparentemente insuportável; também já fiz amizade com a pessoa mais diferente de mim que eu já conheci, não faço idéia como ficamos amigas, e pela quantidade de brigas ainda não sei como continuamos sendo, mas eu descobri que tem pessoas que entram na nossa vida e se tornam tão importantes que não carece de explicação; uma resolveu morar longe e levar consigo minha fonte inesgotável de gargalhadas, só de falar oi com ela eu ja to rindo, tudo bem, é fácil me fazer rir mas ela é especialista nisso, e todo mundo sabe que as vezes tudo que você precisa é de uma boa gargalhada; a minha mais recente conquista também mora longe a beça mas de vez em quando aparece por aqui para nos contagiar com suas confetes e serpentinas.

É eu tenho vários amigos, e é claro que o que eu disse aqui é muito pouco perto do que eles representam p mim, mas eu senti muita vontade de falar alguma coisa pra alguns deles, alguns eu nem falei aqui...
Assim também é obvio que eles vão me decepcionar um dia, assim como eu posso decepcioná-los. Podemos nos pedir desculpas ou não. Eu vou reclamar claro, mas nada do que foi feito será apagado. Nem as coisas ruins e muito menos as coisas boas.
E eu preciso falar mais uma coisa: eu amo vocês, cara!!!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nova Revolução Francesa

Bom, o negócio é o seguinte, descobri nas minha fuxicações uma coisa muito boa mesmo e gostaria de compartilhar com todos os queridos não-leitores deste estimado blog e como nossas ilustríssimas ervas estão em repouso no momento acho que elas não vão se importar em compartilhar o espaço com pessoas tão talentosas quanto elas. Então, vamos lá:


Hand Written,
Hand Made

Palavras feitas a mão

Carmen Lemarck


A vida em suspensão: elétrons que vagam sem núcleo, que não se atraem nem se repelem. Um breve pulsar me leva ao centro da terra, onde tudo é inóspito e frio, onde talvez eu more, no escuro veio da raiz. Há água em abundância, porém no mais terrível estado da matéria: o que não pode ser bebido nem respirado, o mais difícil pra mim, o que tem que ser mastigado, deglutido, engolido. Não gosto de mastigar, prefiro sempre sorver e respirar.

Gosto de deitar na areia e ouvir a respiração dos siris, cavando nas profundezas, e sentir medo de ter o tímpano arrancado por uma pinça afiada. E cavar a terra e encontrar as minhocas, não sei como conseguem viver com a responsabilidade de fazer a terra respirar. São esses pequenos seres que fazem o mundo respirar. No meu mundo esses seres foram extintos, se solidificaram depois da última era glacial.


Os seres do movimento foram aprisionados dentro das pedras de gelo, talvez eles ressurjam depois que o aquecimento global borbulhar os mares congelados da terra. Mas agora, lá no veio da raiz, a água só se solidifica. Não há mais terra nem mar, só gelo, distante e frio gelo. Os siris não pinçaram meus tímpanos e não há mais tímpanos pra pinçar: estou surda ou desaprendi a escutar.


A tartaruga quando entra no casco, o avestruz quando enfia a cabeça na terra, eu quando fecho os olhos, tampo os ouvidos e não respiro por alguns minutos: somos todos abstrações do mundo, negações da existência, desistências da vida.


Um tubarão pré-histórico e incrível saiu das profundezas do oceano pra morrer na superfície. Só morrendo se alcança a superfície? Queria alcançar a superfície antes... Por que o segredo do mundo se esconde no profundo oceano? Pra que se quer mesmo saber o segredo das coisas, o que vem antes, a coisa primeira? Queria ser mais gaivota e menos concha. Queria ter mais bordas, mais beiras.


O começo da coisa primeira me parece tão óbvia quanto estar no útero, a consciência dissipada na água, a idéia do feto de ser mãe, placenta e filho, tudo ao mesmo tempo, sem saber o que é tudo. É uma idéia de feto que nem é mesmo idéia, porque ainda não existe a idéia da idéia. Nascer é a primeira transgressão e o primeiro aprisionamento. Transgride-se a ilusão de comunhão do feto e passa-se a condição de aprisionamento do indivíduo único. A consciência vai pro aquário onde não nadam os peixes. A possibilidade de ser e saber tudo, e a fatalidade de não capturar nada.Nasce-se porque se tem que nascer, o parto é sangue, é pranto, é suor, nasce-se forçado.


Nascer é até fácil, difícil é permanecer nascido. Difícil é quebrar a casca do ovo, bicada por bicada, difícil é comer a seda do casulo, mordida por mordida, e nascer com asas moles de manteiga. Difícil é transpor a barreira dos elementos, viver onde se é estranho. Permanecer é fácil, difícil é transcender.


Quero sentir de novo o gosto fresco da primeira gota de leite. Eu, que já tinha nove meses de velhice uterina e outros infinitos anos moleculares; eu, que quase morro asfixiada antes de nascer; eu, que tomei fôlego e consegui sentir o frescor da primeira gota de leite quente, quero, depois de uns tantos anos de terra, sentir de novo o frescor da gota de vida primordial. Quero o primeiro respiro, o primeiro choro, o primeiro sorriso. Quero ver a flor pela primeira vez. Quero olhar o mundo com a mesma surpresa e estupefação de quem acaba de nascer.
Bom, por enquanto é isso, mas quem quiser mais: http://indignissimoser.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cri, cri, cri...

terça-feira, 10 de junho de 2008

O silêncio que precede o fim ( ou O início do fim)

No inicio era, como sempre, apenas o silêncio. Era quentinho e confortável lá dentro, as vezes ouvia um ou outro som, mas não se incomodava muito, quando incomodava remexia-se até que cessasse. Muitas dessas vezes o som era deveras agradável, como um afago, se soubesse o que era um afago. Ficou um bom tempo por ali, até que o espaço começou a não ser mais tão confortável quanto era antes, remexia-se procurando aquela posição que antes fora tão fácil e nada, até que de repente avistou um espaço e pensou: por ali! E foi. Mas foi difícil, o caminho era bem apertado, mas de alguma forma sabia que quando chegasse onde queria seria melhor, foi aí que algo o pegou de forma violenta, sentindo muito frio, não resistiu e chorou, foi coberto e acalentado e até que ficou um pouco mais tolerável. Mas mesmo assim preferia antes, quis voltar mas não podia, já era tarde. Nasceu!

domingo, 1 de junho de 2008

Todos os dias de Maio

Maio, foi o mês da erva sozinha.
Regina da graça que desgraça te conduz?
Será o som ermo do vazio?
Ou as palavras que não te vem a luz?
Regina que tão só aprendeu a rota,
que derrota tens a se vangloriar?
Se de triste, os caminhos ganham flores.
Se Deus gosta, de dos triste enfeitar-se.
Que Maria foi você no mês de maio?
Que Regina foi você a florear?
De que pranto foi regado o seu orvalho?
De que merda foi seu solo a sustentar?
De que seiva alimentou-se gentil carvalho?
De que pedra pôs-se em pé a sustentar?
Se te deixa a noite um caralho,
perdoe a suja boca,
mas alguem tem que falar.

Nós mulheres e a merda das calcinhas

São elas nossas rivais.
Malditas calcinhas de merdas.
maldita mania de ter inimigos!
Hoje existe calcinhas para transar com amigos.
Calcinhas pra pretendentes antigos.
Calcinhas para confraternizar regras.
Calcinhas e chocolates.
Calcinhas de biscates
Calcinhas que determinam que você é!
Calcinhas que desrespeitam sua língua.
Calcinhas que te qualificam boa moça.
Como podem ignorar as calcinhas?
Ora guardam intenções,
ora guardam vaginas
Ora guardam redenções
ora Messalina.
Calcinhas,termómetros do amor!
Em dias frios róseas com odor;
em dias quentes quem se lembra de vocês?
Calcinhas quando pedem um vinho!
Geralmente numa cozinha gelada,
ou com a compreenção de calcinhas amigas!
Calcinhas o que fizeram ?
Deixaram-as de lado,
limitadas as intenções do preto pra fuder.
Calcinhas o que fizeram de nós?
Hoje vocês custam alguns centavos,
e nós ainda escravas de vocês!

" Quanto vale ou é por quilo?" A vida imitando a arte

Não há nada de simples ser cético. Pois sempre existirá inclinações a crença alheia.
Ser cético demanda posturas legitimamente fundamentalistas!
De nada me serve o niilismo se o que se sente faz-se sagrado, secreto e segregado.
De onde perde-se de si quando nada fora seu?
Construi fundas fendas em chão areola vagabunda, e a cada dia procuro achar, mas sem reconhecer
Que hora do dia bater no peito e dizer: Fui eu?
Posso justificar,
crise dos 25, 15, 50, 75....
Ser humano, ser justificativas.
Os bons nisso são os que lidam bem em ser hipócritas.
Registrar por exemplo, pura invenção do diabo!
Se não registrássemos , deixar gravado não seria possível.
E possivelmente permaneceríamos imersos em expectativas rarefeitas
Diabo, esse dorme ao lado de Deus.
A molécula que gera a ênfase sedutora de Deus,
é o diabo ora bolas!
O diabo inspirou neuroses, neurociência, e a divindade do entendimento.
Do mais simples ao complicado.
Do mais complexos e inebriantes recados,
estava um a direita e um a esquerda.
Dois diabos.
Um eram as palavras, o outro era eu!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tirando o meu da reta 2 !

Hoje faz um mês que ninguém aparece por aqui! Quando entrei até ouvi o som dos grilos, entediados com a pasmaceira: cri cri cri! Até os nossos amigos da tv de LCD nos abandonaram! Coisa horrível...O que será isso? Falta de tempo das Ervas? Falta de iluminamentos? Falta de consideração? Não sei....
E o Dr Saccharomyces que prometeu um estudo super interessante há um tempão e até agora nada! Assim fica difícil...
Eu também não tenho nada para dizer, por isso digo!
E resolvi aparecer também porque andei recebendo reclamações! É queridas, reclamações!! Dos nossos não-leitores! Me pararam na rua, me descobriram em vários lugares e estão reenvindicando a nossa volta, senão vão parar a cidade com um mega panelaço, paralisação de suas atividades profissionais, greve, piquete e tudo mais!! Podem acreditar! É por isso que vim avisa-las que estamos colocando em risco a nossa sociedade! Imagina o caos! E vocês não gostam do caos, não é?
Então decidi dar as caras e falar esse monte de abobrinha para acalma-los por um tempo e tentar fazer com que eles me deixem em paz em pouquinho! Agora é a vez de vocês! Então vamos lá, arregacem as mangas, acendam um cigarro e se necessário for, abram uma garrafa! De preferência com abridor certo!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Tirando o meu da reta!

Bom, já que ninguém aparece por aqui há quase um mês eu resolvi dar o ar da graça! A fim de não deixar nossos não leitores se sentindo abandonados e quase órfãos. Mesmo não tendo nada para dizer para vocês. Imagina o trabalho que não vão dar para os seus analistas se alguém não aparecer por aqui de vez em quando!
Podem até achar que é algum tipo de represália ao Dr. Saccharomyces, já que desde que resolveu aceitar o convite do el Comandante para assumir seu cargo não deu mais as caras por aqui nos deixando à Deus dará!! Imagina que se ficaríamos indignadas, revoltadas, imensamente irritadas, completamente enlouquecidas ( já que o prazo das receitas médicas expirou!), grande injustiça achar isso!
Afinal quem se importa com algumas pequenas coisas do nosso cotidiano surreal, como pessoas que tacam crianças pelas janelas ( quem tem irmão mais novo e nunca pensou nisso que atire a primeira criança, digo, pedra!), ou crianças que matam adultos fortes e saudáveis com 20 tiros ( quem tem irmão mais velho...), ou quem sabe ainda ex-namorados psicóticos que tentam matar aquelas que um dia disseram amar (bom, aí já é outra história...)!!
Quem se importa com essas coisas hoje em dia?
Eu é que não.




sexta-feira, 14 de março de 2008

Homônimos Homófonos

Disparem bombardeios adrenérgicos,
contração num baque seco, farsante.

Olhos microscópicos capturam,
potencial de fuga e ação.

Motoneurônios em geração
anabólicas ou exergônicas, tanto faz.

Estável por ressonância ou oscilando?
Quebra tudo, associando armazenamentos.

Energia química,
sem padrões de nomenclatura, que em síntese, culmina reações salivares.

Primeira instância.
complexas e alimentares.

Ligações estruturais destruídas,
descendo de maior absorção.
Possivelmente transportando especificidades,
doces sufixos de moléculas transportadas,
difunções suculentas para sentir-se leve.

Tendências as cenas ridículas,
intimidades que destroem as relações,
mutualidade excitatória entre os sexos,
extra-locações de gradientes.