sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pedaço de mim, todo meu ser: antes isso do que nada

Há quem goste da minha boca
Há quem goste do meu cabelo
Há quem goste da minha bunda
Há quem goste dos meu peitos

Há quem goste do meu cheiro
Há quem goste das minhas pernas
Há quem goste dos meus pêlos
Há quem goste das minhas costas

Eu, particularmente, prefiro minhas mãos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sobre Calabar

Não, não pretendo ser Chico!
Mas tenho chico todo mês,
Tenho também todo direito, de ser a dúvida no imaginário popular.
De fazer acreditar que creio no potencial de um povo, de que os quero livre e guerrearei por isso.
De ser farsa ou farsante, de ser traída ou traidora
De ser Calabar!
Tenho o direito a andar pelos povoados, de aprender suas línguas
De me prender em suas línguas...

E do direito divino de ser coroada por um mito.
De mentir, de descarar
E vejam, eu enxergo muito bem.
Historiei muita gente, viciei em espetáculos particulares!
Errei no último ato, quando sentei na poltrona vazia para uma peça vazia.
Ignorei o costumeiro passeio pelas coxias, pois já conhecia aquelas cortinas...
Errei.
Quando tive a mau gosto, de escolher mal a próxima cena.
Saí do teatro calada.
Fui calar-me num bar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A voz trovejante de Deus

Eis as razões de minha inefável ausência!
Procurava junto.a querida ora doce, ora meio-amarga, ora intragável..
A voz trovejante de Deus!
Que nos mande danar, envergonhe-se de nós, mande nos fechar as pernas que seja!
Nada ouvi!Procurei silenciar-me, calar certas razões feitas de chumbo,malear e nada feito. Deus deu as costas por resposta, nem uma nem duas, num cri-cri nervoso, que estendia a todos nós ar de ignóbil de severa autoridade.
Clamávamos por um sinal, provocamos inúmeras vezes Tua ira. Nem um mero som, nem um relampejada, nada!
Resolvemos ignorar o próximo, da forma mais estúpida destratar algum entes, escrotiza-lo sem motivo aparente e para ficar mais fácil, usando alguma característica desagradável de nós mesmo, projetando em nossa vítima nossa ínfima frustração. Na esperança de que Deus se voltaria contra nós, desse alguma ordem definitiva. Nada!
Mudamos de método, resolvemos encher a cara no dia em que se comemora seu dia na nação ketu. Nesse dia enchemos a cara durante semanas a fio, fizemos sexo com desconhecidos quase por um prazer mórbido e nada... Deus demostrou-se nem ai para nossa ébria conduta, deve ter mostrado a bunda e sacudido, nem mesmo enviou uma simples sensação de culpa.
Numa ode ao abismo de nossa realidade, entendemos o silencioso recado divino. No sibilante escuro de nossos dias vazios, enfim trovejou a razão:
- Mostrei-os o que tanto queriam, de que material são feitos.
Ainda precisam testar-se?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Aos meus amigos

Não é por nada não, mas gostaria de falar dos meus amigos. Não é nada pessoal com quem não o é mas me deu uma vontade de botar pra fora algumas coisas, mesmo sabendo que a maioria deles não vai ler isso. Mas quem for ler vai saber ou confirmar a importância que representa os meus amigos pra mim. Não to nem aí se esse texto vai ficar piegas, sem graça, meloso, tosco. To cagando! Eu sou assim!
Uma dessas é uma pessoa incrível, ta sempre disposta a me ajudar e cuidar de mim, mesmo que essa ajuda venha acompanhada de uns tapas e muito esporro, é daquelas que você procura quando quer ouvir as verdades mais dolorosas e os melhores elogios; uma outra eu nem sei porque ainda a considero minha amiga, talvez por eu não ter vergonha na cara, por ela representar muitas coisas boas pra mim, e por ela ser tão doce quando quer; tem uma que ótima, irritantemente feliz, sempre saltitante, um saco, mas não tem como não gostar de uma pessoa que ta sempre querendo te colocar pra cima; tem um que nunca me deixa muito claro o quanto ele gosta de mim, mas ele me traz café e faz piada e no fundo no fundo eu sei que representamos um pro outro uma das partes mais bonitas da nossa pequena história; tem uma outra que nossa amizade veio de um tempo em que nem sabíamos direito quem éramos (como se soubéssemos disso agora, mas tudo bem) e já nos gostávamos tanto que suportamos coisas que poucas pessoas suportariam, só pessoas fortes como ela e eu me inspiro nisso para suportar o aparentemente insuportável; também já fiz amizade com a pessoa mais diferente de mim que eu já conheci, não faço idéia como ficamos amigas, e pela quantidade de brigas ainda não sei como continuamos sendo, mas eu descobri que tem pessoas que entram na nossa vida e se tornam tão importantes que não carece de explicação; uma resolveu morar longe e levar consigo minha fonte inesgotável de gargalhadas, só de falar oi com ela eu ja to rindo, tudo bem, é fácil me fazer rir mas ela é especialista nisso, e todo mundo sabe que as vezes tudo que você precisa é de uma boa gargalhada; a minha mais recente conquista também mora longe a beça mas de vez em quando aparece por aqui para nos contagiar com suas confetes e serpentinas.

É eu tenho vários amigos, e é claro que o que eu disse aqui é muito pouco perto do que eles representam p mim, mas eu senti muita vontade de falar alguma coisa pra alguns deles, alguns eu nem falei aqui...
Assim também é obvio que eles vão me decepcionar um dia, assim como eu posso decepcioná-los. Podemos nos pedir desculpas ou não. Eu vou reclamar claro, mas nada do que foi feito será apagado. Nem as coisas ruins e muito menos as coisas boas.
E eu preciso falar mais uma coisa: eu amo vocês, cara!!!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nova Revolução Francesa

Bom, o negócio é o seguinte, descobri nas minha fuxicações uma coisa muito boa mesmo e gostaria de compartilhar com todos os queridos não-leitores deste estimado blog e como nossas ilustríssimas ervas estão em repouso no momento acho que elas não vão se importar em compartilhar o espaço com pessoas tão talentosas quanto elas. Então, vamos lá:


Hand Written,
Hand Made

Palavras feitas a mão

Carmen Lemarck


A vida em suspensão: elétrons que vagam sem núcleo, que não se atraem nem se repelem. Um breve pulsar me leva ao centro da terra, onde tudo é inóspito e frio, onde talvez eu more, no escuro veio da raiz. Há água em abundância, porém no mais terrível estado da matéria: o que não pode ser bebido nem respirado, o mais difícil pra mim, o que tem que ser mastigado, deglutido, engolido. Não gosto de mastigar, prefiro sempre sorver e respirar.

Gosto de deitar na areia e ouvir a respiração dos siris, cavando nas profundezas, e sentir medo de ter o tímpano arrancado por uma pinça afiada. E cavar a terra e encontrar as minhocas, não sei como conseguem viver com a responsabilidade de fazer a terra respirar. São esses pequenos seres que fazem o mundo respirar. No meu mundo esses seres foram extintos, se solidificaram depois da última era glacial.


Os seres do movimento foram aprisionados dentro das pedras de gelo, talvez eles ressurjam depois que o aquecimento global borbulhar os mares congelados da terra. Mas agora, lá no veio da raiz, a água só se solidifica. Não há mais terra nem mar, só gelo, distante e frio gelo. Os siris não pinçaram meus tímpanos e não há mais tímpanos pra pinçar: estou surda ou desaprendi a escutar.


A tartaruga quando entra no casco, o avestruz quando enfia a cabeça na terra, eu quando fecho os olhos, tampo os ouvidos e não respiro por alguns minutos: somos todos abstrações do mundo, negações da existência, desistências da vida.


Um tubarão pré-histórico e incrível saiu das profundezas do oceano pra morrer na superfície. Só morrendo se alcança a superfície? Queria alcançar a superfície antes... Por que o segredo do mundo se esconde no profundo oceano? Pra que se quer mesmo saber o segredo das coisas, o que vem antes, a coisa primeira? Queria ser mais gaivota e menos concha. Queria ter mais bordas, mais beiras.


O começo da coisa primeira me parece tão óbvia quanto estar no útero, a consciência dissipada na água, a idéia do feto de ser mãe, placenta e filho, tudo ao mesmo tempo, sem saber o que é tudo. É uma idéia de feto que nem é mesmo idéia, porque ainda não existe a idéia da idéia. Nascer é a primeira transgressão e o primeiro aprisionamento. Transgride-se a ilusão de comunhão do feto e passa-se a condição de aprisionamento do indivíduo único. A consciência vai pro aquário onde não nadam os peixes. A possibilidade de ser e saber tudo, e a fatalidade de não capturar nada.Nasce-se porque se tem que nascer, o parto é sangue, é pranto, é suor, nasce-se forçado.


Nascer é até fácil, difícil é permanecer nascido. Difícil é quebrar a casca do ovo, bicada por bicada, difícil é comer a seda do casulo, mordida por mordida, e nascer com asas moles de manteiga. Difícil é transpor a barreira dos elementos, viver onde se é estranho. Permanecer é fácil, difícil é transcender.


Quero sentir de novo o gosto fresco da primeira gota de leite. Eu, que já tinha nove meses de velhice uterina e outros infinitos anos moleculares; eu, que quase morro asfixiada antes de nascer; eu, que tomei fôlego e consegui sentir o frescor da primeira gota de leite quente, quero, depois de uns tantos anos de terra, sentir de novo o frescor da gota de vida primordial. Quero o primeiro respiro, o primeiro choro, o primeiro sorriso. Quero ver a flor pela primeira vez. Quero olhar o mundo com a mesma surpresa e estupefação de quem acaba de nascer.
Bom, por enquanto é isso, mas quem quiser mais: http://indignissimoser.blogspot.com/