terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Os Senhores do absurdo nascem descalços

E como tudo que nasce,

choram ao encontrar o ar.

Mas diferentes dos demais a razão é porque gostam do sufoco.

Tornam-se meninos adoráveis, sorridentes e agressivos.

Culpam o óbito de alguém,

mas não se maculam por motivo algum.

Senhores absurdos tomam para si mulheres absurdas

Coabitam a noite, como que ratos a procura do que te é possível .

Somente.

Capazes de estrondosa audácia, distribuem sorrisos

e tomam tempos preciosos.

São solícitos como damas-de-companhia

e resistentes como reticências em frases preguiçosas.

Cartesianos que são,

se mostram infinitos

e seus limites são os de poças d’agua no asfalto quente.

Absurdos são as coisas que dizem sem embasamento algum,

Criativos ornamentam intenções e trejeitam dons.

Manipulam o som para agradar, quem esbarrar com azar em seus ombros.

Querem a beleza a que são incapazes, imaginam no leito de uma rodovia qualquer.

.

Os Senhores do absurdo morrem sem saber por onde caminhar.

Por esta razão nascem descalços

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Insuportável em Três movimentos ( Sonata da Coerência)

Soe indiscreta, pise no inseguro e entorne todo caldo que puder,

Porque é uma solista.

Enrijeça a tez com tédio. Não tenha medo de ser mal interpretada.

Se interpelarem, vomite inconseqüências e erre no português.

Uma hora te definem como fez o filho de Bach, aquele moleque!

Neste momento te tornarás um classicista das ruas, enfiado em algum grupo, merecedor de análise. Faça-os pensarem que caminhará para a demasiada rigidez da mal-criação.

Predefina de forma adorável, procurando surpreender, deixe de pensar na poeira do armário e em tua própria inutilidade. Não se esconda no sexo.

Corra livre para o que bem entender, cantarolando os passos, sem citar autores legitimamente geniais. Envergonhe-se de se achar proprietário mas guarde a esnobação de tua enervação construtora para si, Andante, Adágio, Largos.

Mimetize em minuetos teus arrependimentos, alegre-se com a própria idiotice e sentimentos menores. Rondas periódicas são as mais usadas para nutrir o viço de ser profundo. Por fim o grande enlace, termine energético e cheio de pretensões que já nascem falidas, patéticas, na jaula.

A noite espera uma desculpa frágil para saltar o desejo de embelezar, pintar, articular, e novamente sair.

( Para que torne mais insuportável ainda!)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pedaço de mim, todo meu ser: antes isso do que nada

Há quem goste da minha boca
Há quem goste do meu cabelo
Há quem goste da minha bunda
Há quem goste dos meu peitos

Há quem goste do meu cheiro
Há quem goste das minhas pernas
Há quem goste dos meus pêlos
Há quem goste das minhas costas

Eu, particularmente, prefiro minhas mãos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sobre Calabar

Não, não pretendo ser Chico!
Mas tenho chico todo mês,
Tenho também todo direito, de ser a dúvida no imaginário popular.
De fazer acreditar que creio no potencial de um povo, de que os quero livre e guerrearei por isso.
De ser farsa ou farsante, de ser traída ou traidora
De ser Calabar!
Tenho o direito a andar pelos povoados, de aprender suas línguas
De me prender em suas línguas...

E do direito divino de ser coroada por um mito.
De mentir, de descarar
E vejam, eu enxergo muito bem.
Historiei muita gente, viciei em espetáculos particulares!
Errei no último ato, quando sentei na poltrona vazia para uma peça vazia.
Ignorei o costumeiro passeio pelas coxias, pois já conhecia aquelas cortinas...
Errei.
Quando tive a mau gosto, de escolher mal a próxima cena.
Saí do teatro calada.
Fui calar-me num bar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A voz trovejante de Deus

Eis as razões de minha inefável ausência!
Procurava junto.a querida ora doce, ora meio-amarga, ora intragável..
A voz trovejante de Deus!
Que nos mande danar, envergonhe-se de nós, mande nos fechar as pernas que seja!
Nada ouvi!Procurei silenciar-me, calar certas razões feitas de chumbo,malear e nada feito. Deus deu as costas por resposta, nem uma nem duas, num cri-cri nervoso, que estendia a todos nós ar de ignóbil de severa autoridade.
Clamávamos por um sinal, provocamos inúmeras vezes Tua ira. Nem um mero som, nem um relampejada, nada!
Resolvemos ignorar o próximo, da forma mais estúpida destratar algum entes, escrotiza-lo sem motivo aparente e para ficar mais fácil, usando alguma característica desagradável de nós mesmo, projetando em nossa vítima nossa ínfima frustração. Na esperança de que Deus se voltaria contra nós, desse alguma ordem definitiva. Nada!
Mudamos de método, resolvemos encher a cara no dia em que se comemora seu dia na nação ketu. Nesse dia enchemos a cara durante semanas a fio, fizemos sexo com desconhecidos quase por um prazer mórbido e nada... Deus demostrou-se nem ai para nossa ébria conduta, deve ter mostrado a bunda e sacudido, nem mesmo enviou uma simples sensação de culpa.
Numa ode ao abismo de nossa realidade, entendemos o silencioso recado divino. No sibilante escuro de nossos dias vazios, enfim trovejou a razão:
- Mostrei-os o que tanto queriam, de que material são feitos.
Ainda precisam testar-se?